MONITORAMENTO DOS RISCOS PSICOSSOCIAIS: O QUE ESTÁ EM JOGO?
O monitoramento não deve ser visto apenas como uma atividade pontual, mas sim como um processo contínuo. Isso implica a necessidade de reavaliações periódicas, para que as organizações possam adaptar suas estratégias conforme as mudanças nos ambientes de trabalho e nas necessidades dos trabalhadores.
Rafael Padilha
4/23/20254 min read
INTRODUÇÃO AOS RISCOS PSICOSSOCIAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO
Os riscos psicossociais são fatores que podem impactar a saúde mental e física dos trabalhadores, decorrentes das relações de trabalho e das condições organizacionais. Estes riscos incluem estresse, sobrecarga de trabalho, assédio moral, a falta de apoio entre colegas e supervisores, entre outros. No contexto da saúde ocupacional, é imprescindível compreender como esses fatores se entrelaçam e afetam a qualidade de vida do trabalhador, considerando que a saúde mental é tão vital quanto a saúde física.
A relação entre a organização do trabalho e os riscos psicossociais é evidente. Um ambiente de trabalho mal estruturado, com fluxos de comunicação deficiente, pode gerar um aumento significativo do estresse entre os colaboradores. A ergonomia, por sua vez, refere-se à adequação do ambiente de trabalho às características humanas e tem um papel fundamental na prevenção de riscos psicossociais. Quando os trabalhadores não se sentem confortáveis em seu espaço de trabalho, a probabilidade de desenvolver problemas de saúde mental é maior.
De acordo com a Norma Regulamentadora NR 17, que estabelece diretrizes para garantir a ergonomia no trabalho, uma organização eficiente deve considerar não apenas a segurança física, mas também o bem-estar psicossocial dos empregados. Assim, entender os riscos psicossociais se torna essencial para promover um ambiente saudável, onde os empregados possam desempenhar suas funções sem a influência negativa do estresse, da ansiedade e outros problemas associados.
Em suma, a abordagem holística dos riscos psicossociais deve ser parte integrante da saúde ocupacional, considerando a interconexão entre a organização do trabalho, a ergonomia e o bem-estar dos trabalhadores. Isso é vital para garantir a produtividade, a sustentabilidade das empresas e inclusive reduzir o número de afastamento / adoecimento.
MONITORAMENTO DOS FATORES DE RISCOS PSICOSSOCIAIS
O monitoramento dos riscos psicossociais nas organizações, embora seja crucial para detectar e corrigir fatores que possam prejudicar a saúde mental no ambiente de trabalho, deve ser realizado conforme as diretrizes estabelecidas pela Norma Regulamentadora 01 (NR 01) e 17 (NR 17). A NRs supracitadas visam garantir a ergonomia e a saúde do trabalhador, incluindo a avaliação dos aspectos psicossociais que possam impactar sua qualidade de vida e produtividade.
Para que o monitoramento dos riscos psicossociais seja efetivo, considera vários pontos fundamentais. Primeiramente, destaca a necessidade de que haja uma metodologia clara e estruturada para a coleta e análise de dados, a fim de que os resultados sejam confiáveis e útil para a implementação de intervenções. A coleta de dados deve incluir questionários, entrevistas e grupos focais, permitindo uma visão abrangente das condições de trabalho e da saúde mental dos colaboradores.
Além disso, o monitoramento não deve ser visto apenas como uma atividade pontual, mas sim como um processo contínuo. Isso implica a necessidade de reavaliações periódicas, para que as organizações possam adaptar suas estratégias conforme as mudanças nos ambientes de trabalho e nas necessidades dos trabalhadores. Vale pontuar que o envolvimento dos trabalhadores no processo é essencial, uma vez que eles podem fornecer informações valiosas sobre suas experiências e percepções. Desta forma, a prática de monitoramento pode ser verdadeiramente benéfica, contribuindo para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.
PRÓXIMOS PASSOS E O QUE ESPERAR
No contexto atual, esse tema representa um marco importante para o monitoramento dos riscos psicossociais nas organizações. Os próximos passos que as empresas devem considerar envolvem uma série de ações concretas voltadas para a proteção e promoção da saúde mental no ambiente de trabalho. Primeiramente, é fundamental que as empresas adotem uma abordagem proativa ao identificar e mitigar os riscos psicossociais. Isso pode ser feito através da realização de diagnósticos contínuos e avaliações de clima organizacional, que permitirão dar uma compreensão mais clara dos fatores que podem impactar o bem-estar dos trabalhadores.
Outro aspecto crucial consiste na capacitação dos gestores e colaboradores para lidar com os desafios impostos por esses riscos. A implantação de treinamentos e workshops voltados à conscientização sobre a saúde mental, além de técnicas de gerenciamento do estresse, pode auxiliar significativamente na construção de uma cultura organizacional mais saudável. Além disso, o possível prazo de um ano mencionado na reunião do MTE no dia 14/04/2025 deve ser visto como uma oportunidade para o desenvolvimento de novas práticas e estratégias que garantam não apenas a conformidade, mas também a melhoria contínua das condições de trabalho.
As empresas devem, portanto, estar atentas às legislações e normas que estão em constante evolução, ajustando seus processos e políticas internas. O incentivo à comunicação aberta entre líderes e equipes é um passo importante, pois promove um ambiente onde os colaboradores se sentem seguros para expressar suas preocupações. Por fim, as organizações devem estar dispostas a experimentar novas abordagens e a avaliar sua eficácia, uma vez que a saúde mental é um componente vital da produtividade e da satisfação no trabalho. O caminho à frente é de colaboração, aprendizado e contínua adaptação aos desafios que surgem na dinâmica do trabalho moderno.
Fontes de referências:
https://www.migalhas.com.br/arquivos/2025/4/B0043FFA0830BE_CNSaude-ComunicadoaImprensa-16.pdf
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