BOREOUT VS BURNOUT: ENTENDA AS DIFERENÇAS E SINTOMAS
O Brasil é o 4º país com mais profissionais tristes ou com raiva diária na América Latina, ocupando a sétima posição dos profissionais mais estressados dessa região. As rotinas do trabalho podem ser extremamente cansativas e desgastantes mentalmente, como grandes demandas de trabalho, atividades monótonas, falta de estímulo no labor, entre outros. E com isso vem os seus malefícios, como baixa autoestima; estresse; desmotivação; insatisfação; falta de interesse, ansiedade; dores de cabeça frequentes; dores musculares; exaustão física e mental e até mesmo uma depressão. Sendo as síndromes mais comuns Boreout e Burnout e oposta uma da outra, mas muito prejudicial para a saúde mental do empregado.
Rafael Padilha
4/27/202510 min read
DADOS IMPACTANTES NOS RESULTADOS DAS ORGANIZAÇÕES
Segundo o relatório do instituto Gallup, o Brasil é o 4º país com mais profissionais tristes ou com raiva diária na América Latina, com base empírica, no qual foram entrevistadas 128 mil pessoas em mais de 160 países.
Nesse relatório o Brasil está com 25 % de trabalhadores com sentimento de tristeza e 18% com sentimento de raiva, isso pontuando em ranking da América Latina, referente ao ambiente laboral, sendo um fator primordial para o aumento do estresse. Também ocupando a 7ª colocação dos profissionais mais estressados dessa região. E segundo esse mesmo relatório do “State of the Global Workplace” 46% dos trabalhadores pontuaram sentir estresse cotidianamente.
Esse relatório do instituto Gallup foi realizado em 2024, e divulgou também:
O desengajamento custou à economia mundial US$ 438 bilhões em 2024.
US$ 9,6 trilhões em produtividade seriam adicionados à economia se a força de trabalho global estivesse totalmente engajada, e esse valor representaria um aumento de 9% no PIB global.
O engajamento dos funcionários diminui para 21 % se comparado ao ano 2023 que era 23%.
INTRODUÇÃO AO BOREOUT E BURNOUT
As síndromes de Boreout e Burnout têm ganhado destaque nas discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho. Ambas refletem condições que afetam significativamente o bem-estar dos colaboradores, sendo essencial entender suas definições e diferenças. O Burnout, por sua vez, é frequentemente descrito como um estado de exaustão emocional, física e mental, surgindo em resposta a estresse crônico no ambiente de trabalho. Caracteriza-se pela sensação de esgotamento, despersonalização e diminuição da realização pessoal, afetando a produtividade e a qualidade de vida do trabalhador.
Em contraste, o Boreout é uma condição menos conhecida, mas igualmente prejudicial. Refere-se à apatia que surge do tédio e da falta de desafios. Profissionais que enfrentam Boreout podem sentir-se desengajados e desmotivados, resultando em uma forte insatisfação com o trabalho. Essa condição pode ser tão debilitante quanto o Burnout, levando a uma redução na produtividade e, por consequência, impactando negativamente tanto o colaborador quanto a organização.
Embora ambas as síndromes envolvam o esgotamento emocional, a principal diferença reside nas causas: enquanto o Burnout é associado a uma carga excessiva de trabalho e estresse, o Boreout está ligado a uma falta de estímulo e desafios. Dados recentes indicam que uma fração significativa da força de trabalho mundial experiência algum nível de Boreout, ressaltando a necessidade urgente de estratégias de gerenciamento e prevenção no local de trabalho. A compreensão e a identificação dessas condições são fundamentais para promover um ambiente de trabalho saudável, onde os funcionários possam não apenas sobreviver, mas também prosperar.
O QUE É BURNOUT?
O burnout foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como síndrome ocupacional crônica em 2022 e está incluído na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
Burnout, frequentemente denominado síndrome do esgotamento profissional, é um estado de exaustão emocional, física e mental resultante de estresse crônico no ambiente de trabalho. Essa condição se manifesta quando o trabalhador não consegue mais lidar com as exigências de sua função, levando a uma sensação de impotência e desmotivação. Entre os principais sintomas do burnout, destacam-se a fadiga intensa, a diminuição da eficácia no trabalho e a irritabilidade constante. Muitas vezes, esses sinais iniciais são ignorados, permitindo que a síndrome se agrave e afete significativamente a qualidade de vida do indivíduo.
As causas do burnout são variadas e podem incluir uma carga excessiva de trabalho, falta de controle sobre as tarefas, conflitos com colegas ou superiores, pouca recompensa por esforços dedicados e um ambiente organizacional desfavorável. Trabalhar em um contexto onde as demandas superam as capacidades pode levar a um ciclo vicioso de estresse, onde o profissional luta para atender às expectativas, mas, com o tempo, percebe que suas capacidades estão comprometidas. Isso pode resultar em tristeza, ansiedade e até mesmo depressão.
Certas situações são mais propensas a desencadear o burnout, como a pressão constante para cumprir prazos rigorosos, projetos desafiadores sem o suporte necessário, ou a falta de reconhecimento por trabalhos bem feitos. Além disso, o trabalho remoto, embora tenha trazido benefícios, também apresenta riscos, uma vez que pode dificultar a separação entre vida pessoal e profissional, exacerbando o estresse.
O impacto do burnout se estende além do ambiente de trabalho, afetando a vida pessoal do profissional e seus relacionamentos. A saúde mental é severamente prejudicada, levando muitas vezes a um afastamento do trabalho e a um período de reabilitação necessário para a recuperação. Reconhecer os sinais de burnout e implementar cuidadosamente estratégias de gerenciamento de estresse são passos fundamentais para mitigar essa condição debilitante.
O QUE É BOREOUT?
Boreout é uma síndrome caracterizada pela insatisfação e subaproveitamento no ambiente de trabalho, resultando em um estado de apatia e desmotivação que pode afetar a vida pessoal e profissional do trabalhador. A origem do termo "boreout" deriva do inglês, onde "bore" significa "tédio", e "out" remete a um estado de esgotamento. Embora não seja tão discutida quanto a síndrome de burnout, o boreout tem ganhado reconhecimento como uma condição que merece atenção especial.
A principal causa do boreout reside no sentimento de desinteresse em relação às tarefas diárias, o que pode ocorrer quando um profissional é subutilizado em suas funções, assim causando uma sensação de desinteresse por falta de desafios e/ou sentido nas atividades desempenhadas. Esse descompasso entre as habilidades do trabalhador e as demandas do trabalho gera frustração. Os sintomas do boreout incluem apatia, falta de motivação, desânimo e até um senso de inadequação. Esses sentimentos podem se intensificar ao longo do tempo, levando a uma significativa diminuição da produtividade e do prazer no trabalho.
Além dos impactos no bem-estar psicológico do indivíduo, o boreout também pode afetar a equipe e a organização como um todo. A insatisfação crônica pode resultar em um ambiente de trabalho tóxico, comprometer o desempenho do time e até aumentar a rotatividade de funcionários. Portanto, é crucial que tanto os trabalhadores quanto os gestores reconheçam os sinais e sintomas do boreout para mitigar suas consequências. O reconhecimento dessa condição é o primeiro passo para uma abordagem eficaz, que pode incluir mudanças nas responsabilidades, redefinição de metas e até a busca de suporte emocional e psicológico.
PRINCIPAIS SINTOMAS DE BURNOUT E BOREOUT
As condições de burnout e boreout, embora distintas, compartilham alguns sintomas que podem dificultar a identificação clara de cada uma. O burnout, caracterizado pelo esgotamento emocional e físico, geralmente se manifesta através de cansaço extremo, hiperatividade, insônia e sentimentos de desamparo. Os indivíduos afetados podem relatar uma sensação de sobrecarga e uma incapacidade de lidar com as demandas do trabalho, resultando em um desempenho reduzido e um aumento na irritabilidade. Sinais emocionais de burnout incluem apatia, cinismo e falta de motivação, que podem levar a uma busca por mudanças drásticas no ambiente de trabalho ou até mesmo à considerável evasão de responsabilidades.
Por outro lado, o boreout é frequentemente resultado de tédio e falta de desafios profissionais. Os que experimentam boreout podem sentir-se desmotivados, desinteressados e frustrados, pois suas funções não oferecem estímulos suficientes. Isso pode levar a uma diminuição na produtividade e a uma sensação de vazio extremo. Os sintomas do boreout frequentemente incluem falta de concentração, sonolência durante o dia e uma percepção de que o tempo não passa, tornando o ambiente de trabalho insatisfatório. Ao contrário do burnout, onde a pessoa se sente sobrecarregada, no boreout há uma sensação de estagnação e subutilização do potencial.
Através de uma análise detalhada desses sintomas, é possível identificar se um indivíduo está lidando com burnout ou boreout. Essa diferenciação não só facilita a compreensão da situação pessoal, mas também fornece um ponto de partida para intervenções adequadas, permitindo que os afetados busquem apoio e as mudanças necessárias para um ambiente de trabalho mais saudável e equilibrado.
CAUSAS E FATORES CONTRIBUINTES
As síndromes de boreout e burnout têm origens que vão além do indivíduo, envolvendo uma complexa interação entre fatores internos e externos. Um dos principais fatores externos relacionados ao desenvolvimento do burnout é a cultura corporativa. Empresas que promovem um ambiente de alta pressão, onde a sobrecarga de trabalho e expectativas irrealistas são normais, frequentemente contribuem para o aumento do estresse e da insatisfação dos funcionários. A falta de apoio emocional e recursos adequados também serve como um gatilho, levando os colaboradores a se sentirem exauridos e desmotivados.
Por outro lado, o boreout, que é caracterizado por uma falta de desafios e um trabalho monótono, tem suas raízes na ausência de tarefas significativas. Quando um trabalhador se sente subutilizado e sem propósito, o engajamento se dissipa, gerando desinteresse e, em última análise, insatisfação. Fatores como a falta de crescimento profissional e a ausência de estímulos intelectuais são fundamentais para a manifestação dessa situação.
Além disso, fatores internos, como a personalidade do indivíduo, desempenham um papel crucial na predisposição a essas síndromes. Indivíduos com uma alta necessidade de realização e aqueles que buscam constantemente novos desafios podem ser mais suscetíveis ao boreout, por sentirem que suas capacidades não estão sendo plenamente aproveitadas. Por outro lado, pessoas que possuem uma alta sensibilidade ao estresse podem ser mais vulneráveis ao burnout, especialmente em ambientes em que as demandas de trabalho superam suas habilidades de enfrentamento.
Em síntese, tanto o boreout quanto o burnout são influenciados por uma combinação de fatores externos, como a cultura corporativa e a carga de trabalho, e fatores internos, como a personalidade e a motivação do indivíduo. Uma compreensão abrangente dessas causas é essencial para prevenir e abordar essas síndromes no ambiente de trabalho.
COMO LIDAR COM BURNOUT E BOREOUT
Lidar com burnout e boreout requer uma abordagem estratégica e multifacetada, buscando não apenas a recuperação, mas também a prevenção de futuros episódios. A primeira etapa para gerenciar essas síndromes é reconhecer os sinais precoces, o que permite uma intervenção mais eficaz. Assim que os sintomas forem notados, é recomendável buscar apoio emocional. Conversar com colegas de confiança, amigos ou familiares pode oferecer uma nova perspectiva e aliviar o estresse. Além disso, a opção de consultar um profissional da saúde mental é uma escolha valiosa que pode proporcionar aconselhamento profissional e ferramentas para lidar com essas condições.
Ajustes no ambiente de trabalho são igualmente fundamentais. Muitas vezes, criar um espaço agradável e ergonomicamente adequado pode fazer uma grande diferença na saúde mental do trabalhador. As pausas regulares, aliadas a momentâneas atividades físicas, podem ajudar a liberar tensões, melhorando a concentração e evitando tanto o burnout quanto o boreout. Outra estratégia prática é reavaliar as demandas, tanto pessoais quanto profissionais. A priorização de tarefas e a definição de limites claros sobre o que é possível realizar dentro de um determinado período podem ajudar a reduzir a sensação de sobrecarga ou tédio no trabalho.
Além disso, implementar técnicas de gerenciamento de estresse, como meditação, yoga ou exercícios de respiração, tem se mostrado eficaz em diversos estudos. Essas práticas promovem uma maneira de desacelerar a mente e aliviar a pressão do dia a dia. Reservar tempo para hobbies e atividades que tragam alegria também é essencial, pois isso pode proporcionar um alívio significativo e permitir um espaço mental para a criatividade e o prazer, contribuindo para a saúde emocional.
CONCLUSÃO
Ao longo deste texto, abordamos as nuances significativas entre Boreout e Burnout, dois conceitos que afetam a saúde mental de trabalhadores em diversos setores. O Burnout, que se caracteriza por um estado de exaustão emocional e física devido a estresse crônico no trabalho, frequentemente resulta em sentimentos de desamparo e incapacidade. Por outro lado, o Boreout é um fenômeno menos discutido, que emerge da falta de desafios e estímulos, levando a um estado de desmotivação e apatia. Ambos os distúrbios podem ter consequências sérias, não apenas sobre o bem-estar individual, mas também sobre a produtividade geral no ambiente de trabalho.
É crucial para os profissionais reconhecerem os sinais de ambos os estados. A identificação precoce dos sintomas pode ajudar a evitar consequências mais graves e promover um ambiente de trabalho mais saudável. A comunicação aberta com colegas e supervisores, assim como a disposição para buscar apoio psicológico, são passos essenciais para lidar com essas questões. Além disso, o autocuidado deve ser uma prioridade; práticas como meditação, exercícios físicos regulares e equilíbrio entre vida profissional e pessoal podem contribuir para a prevenção tanto do Boreout quanto do Burnout.
Um formato estratégico de bem-estar para as organizações utilizar nesse cenário seria engajar líderes e equipes, proporcionando modelos de trabalho flexíveis dentro das possibilidades e também experiência profissional reconhecida. Investir em inclusão, remuneração justa, reconhecimento com plano de carreira para crescimento profissional, incentivo na aprendizagem profissional, assim pode ser uma das formas de reduzir o esgotamento e melhorar a retenção de talentos. E os estudos validam que quem se sente valorizado e reconhecido no trabalho tem níveis significativamente menores de esgotamento.
Por fim, é fundamental que cada um de nós reflita sobre nosso próprio estado de saúde mental no contexto profissional. Ao observarmos nossos sentimentos e comportamentos no trabalho, podemos tomar decisões informadas sobre como proceder, seja através da busca de novos desafios ou da identificação de situações que possam estar causando estresse excessivo. A busca por um equilíbrio saudável e a manutenção de um diálogo ativo sobre saúde mental são essenciais para o bem-estar individual e para um ambiente de trabalho produtivo.
Fontes de Referência:
https://www.gupy.io/blog/burnout-boreout-diferenca
https://mudes.org.br/boreout-e-burnout-voce-sabe-a-diferenca/#google_vignette
https://futurodosnegocios.com.br/blog/boreout-70-dos-brasileiros-estao-desengajados-no-trabalho
https://www.gallup.com/workplace/349484/state-of-the-global-workplace.aspx.
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