AMEAÇA SILENCIOSA: O IMPACTO GLOBAL DO CALOR NO AMBIENTE DE TRABALHO
O calor excessivo no trabalho é uma ameaça invisível e crescente, causando anualmente 18.970 mortes e 22,85 milhões de lesões a nível global. O estresse térmico não apenas afeta a saúde dos trabalhadores, mas também compromete a economia, com a produtividade caindo até 3% para cada grau acima de 20°C. Estima-se que US$ 361 bilhões poderiam ser economizados anualmente em perdas e gastos com saúde se houvesse medidas de segurança aprimoradas. Diante desse cenário, a proteção dos trabalhadores é um imperativo social e econômico, exigindo a união de governos e empresas para garantir ambientes de trabalho mais seguros.
Rafael Padilha
8/28/20255 min read


CALOR NO TRABALHO: UM INIMIGO SILENCIOSO E GLOBAL PARA A SAÚDE E A PRODUTIVIDADE
O aumento das temperaturas globais não é apenas uma questão ambiental, mas uma emergência de saúde pública e segurança do trabalho. Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de outras agências da ONU, como a OMS, revela um cenário alarmante: o calor excessivo no ambiente de trabalho é um "assassino invisível" que afeta bilhões de pessoas em todo o mundo.
O estudo, intitulado “Heat at work: Implications for safety and health”, alerta que a exposição ao estresse térmico está se tornando um problema global, afetando não apenas regiões já quentes, mas também áreas que não estavam acostumadas a temperaturas extremas. Essa mudança é um reflexo direto da crise climática e traz consequências devastadoras para a saúde, a segurança e a economia global.
OS NÚMEROS DE UM PROBLEMA GLOBAL
Os dados apresentados pela OIT e pela OMS pintam um quadro preocupante:
18.970 mortes e 22,85 milhões de lesões ocupacionais são causadas por ano, diretamente pelo calor excessivo.
2,41 bilhões de trabalhadores são expostos a calor excessivo anualmente, com um aumento de 66% na exposição a ondas de calor desde o ano 2000.
A produtividade cai de 2% a 3% para cada grau Celsius acima de 20°C.
US$ 361 bilhões poderiam ser economizados anualmente em perdas econômicas e gastos com saúde, caso medidas de segurança e saúde fossem aprimoradas globalmente.
O relatório destaca que as economias de renda baixa e média são as mais atingidas, com os custos das lesões relacionadas ao calor podendo alcançar até 1,5% do PIB nacional.
IMPACTOS E CONSEQUÊNCIAS PARA OS TRABALHADORES
A exposição contínua a altas temperaturas gera uma série de riscos para a saúde, que vão desde problemas agudos até condições crônicas e fatais:
Riscos de Curto Prazo: O estresse térmico pode causar rapidamente doenças como insolação e desidratação, que podem levar à morte se não tratadas.
Riscos de Longo Prazo: A exposição prolongada está associada a problemas graves, incluindo doenças renais, disfunções cardíacas e pulmonares, e distúrbios neurológicos.
Além disso, a saúde não é o único aspecto afetado. A segurança também é comprometida, pois o calor excessivo pode levar à perda de concentração, fadiga e irritabilidade, aumentando a chance de acidentes de trabalho. Oito em cada dez acidentes por estresse térmico ocorrem fora de períodos de onda de calor, o que reforça a necessidade de medidas de proteção o ano inteiro.
A URGÊNCIA DE PLANOS DE AÇÃO E LEGISLAÇÃO
Diante desse cenário, a OIT reforça que a proteção dos trabalhadores contra o calor é uma questão de direitos humanos, direitos trabalhistas e economia. A falta de regulamentação e fiscalização adequada agrava o problema, especialmente em países onde os trabalhadores não estão habituados a temperaturas elevadas, como na Europa e na América do Norte, onde as taxas de lesões relacionadas ao calor têm crescido de forma acelerada.
A solução exige uma abordagem global e integrada. O relatório examinou a legislação de 21 países e sugere que a criação de planos de ação e a implementação de medidas de segurança e saúde — como o monitoramento da temperatura, o fornecimento de água e locais de descanso, e a adaptação de horários de trabalho — são essenciais para proteger os trabalhadores.
"O mundo está ficando mais quente e mais perigoso para todos, em todos os lugares", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. Fortalecer a proteção dos trabalhadores com base em seus direitos é uma ação urgente para garantir que ninguém seja deixado para trás na luta contra a crise climática.
IMPACTOS E CONSEQUÊNCIAS POR REGIÃO
A crise do calor afeta cada região de maneira distinta, revelando vulnerabilidades específicas em cada uma delas:
África: Com 92,9% de sua população ativa exposta ao calor excessivo, a África enfrenta a maior proporção de lesões profissionais atribuíveis a esse fator, com 7,2% de todas as lesões ocupacionais na região.
Américas: A região registrou o aumento mais rápido na proporção de lesões relacionadas ao calor desde 2000, com um aumento de 33,3%. Atualmente, 6,7% das lesões ocupacionais nas Américas são causadas pelo calor excessivo.
Estados Árabes: A exposição laboral ao calor excessivo nos Estados Árabes é superior à média mundial, afetando 83,6% da força de trabalho.
Ásia e Pacífico: Cerca de 74,7% dos trabalhadores e trabalhadoras na Ásia-Pacífico estão expostos a calor excessivo em seus locais de trabalho.
Europa e Ásia Central: Essas regiões, que não estavam acostumadas a altas temperaturas, registraram o maior aumento na exposição ao calor excessivo, com um crescimento de 17,3% entre 2000 e 2020. O aumento nas lesões ocupacionais relacionadas ao calor foi de 16,4%, evidenciando a falta de preparo para as novas condições climáticas.
CONCLUSÃO: UM CHAMADO URGENTE À AÇÃO
O impacto do calor sobre os trabalhadores é um problema global que exige uma ação imediata e coordenada. Proteger os trabalhadores não é apenas uma obrigação moral, mas um imperativo econômico e social. As evidências mostram que, ao investir em medidas de segurança e saúde, é possível salvar vidas, prevenir lesões e proteger a produtividade e a economia.
É fundamental que governos, empresas e trabalhadores unam esforços para implementar políticas eficazes, adaptar ambientes de trabalho e garantir que um ambiente de laboral seguro e saudável seja um direito fundamental para todos, em qualquer lugar do mundo. A segurança dos trabalhadores contra o calor é a chave para construir uma força de trabalho mais resiliente e uma economia mais sustentável.
Fontes de Referência:
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT: Estresse térmico afeta um número crescente de trabalhadores em todo o mundo. [S. l.], 25 jul. 2024. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/274970-oit-estresse-termico-afeta-um-numero-crescente-de-trabalhadores-em-todo-o-mundo. Acesso em: 28 ago. 2025.
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Heat at work: Implications for safety and health. [S. l.], 2024. Disponível em: https://www.ilo.org/publications/ensuring-safety-and-health-work-changing-climate. Acesso em: 28 ago. 2025.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. OIT: Estresse térmico afeta um número crescente de trabalhadores em todo o mundo. [S. l.], 25 jul. 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/07/1850776. Acesso em: 28 ago. 2025.
G1. Trabalho sob altas temperaturas provoca 19 mil mortes por ano, segundo a ONU. [S. l.], 22 ago. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/08/22/trabalho-sob-altas-temperaturas-provoca-19-mil-mortes-por-ano-segundo-a-onu.ghtml. Acesso em: 28 ago. 2025.
ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL. Climate Change and Workplace Heat Stress. [S. l.], 2024. Disponível em: https://wmo.int/publication-series/climate-change-and-workplace-heat-stress?access-token=cfaurSa0AjoNYnMA4n5iarde0F2o4QyJItHS2zyZKxw. Acesso em: 28 ago. 2025.
Contato
Redes Social
Horário de Funcionamento
+55 41 98764-8796